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17/02/2014

Consideramos que os primeiros anos da infância são cruciais para o desenvolvimento de “escritores emergentes”.
De acordo com alguns estudiosos que referimos na bibliografia, é essencial que as crianças em idade pré-escolar estejam profundamente envolvidas na escrita, já que se irão tornar mais tarde bem sucedidas quer na leitura quer na escrita.
Sabemos que as crianças usam seu conhecimento de símbolos e letras de adultos para construírem o seu próprio conhecimento de como funciona a escrita.
Sabemos também que as experiências quotidianas informais como por exemplo: fingir ler e escrever, ler os rótulos em alimentos, e ver os seus próprios nomes escritos, são parte crucial para o inicio da aprendizagem da leitura e escrita das crianças.
Ainda de acordo com este autores, os Educadores de Infância devem possuir bases teóricas que sustentem a sua prática pedagógica e lhe permitam reflectir sobre a mesma, de forma a adequar a sua intervenção e consequentemente, contribuir para o desenvolvimento dos seus alunos, neste caso concreto, no que concerne à abordagem da leitura e da escrita, pelo que deverão promover desde muito cedo atividades que promovam as habilidades de leitura e escrita, como por exemplo:
- a noticia de fim de semana que é uma excelente forma de as crianças desenvolverem a  coragem e a confiança como escritores;
- textos conjuntos, a que chamamos de “escrita interativa”, pois ao criar-se o texto em conjunto, e as crianças ao passá-lo para o papel, sendo orientadas pelo professor na forma como vão escrever irão perceber melhor o sentido da escrita;
- delinear os projetos, a lista de projetos, o diário de grupo, e outros, com a escrita das crianças;
- escrever as palavras que são familiares ou conhecidas, e quando terminam a escrita, as crianças lêem as palavras juntas, e desta forma praticam a fonética, a pontuação, a ortografia, estabelecendo ligações entre a linguagem oral e a linguagem escrita;
- promover a escrita livre de forma autónoma uma vez que permite que as crianças desenvolvam a consciência fonológica e evoluam nas suas conceptualizações;
- compartilhar os seus “escritos” com os pares, para que eles próprios (os criadores), se percebam a si mesmos como autores.
No entanto, não devemos esquecer que as atividades deverão significativas para as crianças, que partam dos seus interesses, das suas dúvidas e dos seus questionamentos, pois desta forma irão tornar-se desafiadoras e motivadoras.
Constatamos ainda que a gestão do ambiente educativo (a organização das salas e dos materiais), são excelentes indicadores da construção da aprendizagem da literacia escrita, pelo que a presença de diferentes suportes de escrita na sala de Jardim de Infância são deveras importante, porque:
-  permite o contacto com os mesmos;
-  podem ser utilizados nas actividades;
-  contribuem para que as crianças entendam que a linguagem escrita serve várias funções;
- o conhecimento dessas funções promove o desenvolvimento da funcionalidade e também dos aspectos figurativos e conceptuais na perspetiva da literacia emergente da escrita e consequentemente da consciência linguística.
Assim consideramos essencial uma área da escrita, ou outras áreas específicas na sala de atividades, onde as criança tenham contacto com o código escrito de uma forma informal. Brincam com letras, copiam-nas, fazem tentativas de escrita, imitam a escrita e a leitura, familiarizam-se com o código escrito, percebem que há uma forma de comunicar diferente da linguagem oral, percebem as funções da escrita
Não se trata de uma introdução formal e “clássica” à leitura e escrita, mas de facilitar a emergência da linguagem escrita, como as próprias OCEPE ( 87) referem.





Ao criarem-se oportunidades para as crianças brincarem com os “suportes de escrita”, ou com os “objetos de literacia”, ao proporcionar-lhes situações lúdicas de literacia contextualizadas e que dêem sentido às sua realidade, estamos a deixar as crianças a “explorar e mostrar o que sabem sobre o porquê, quando, onde, o quê e como da literacia” (Mata, L.2010)
Podemos concluir que o jogar e brincar com a escrita, permite não só que as crianças mostrem o que já sabem sobre a funcionalidade da escrita, mas também proporciona o desenvolvimento das suas competências como “escritor e leitor emergente”.

Bibliografia:
Alves Martins, M., & Niza, I. (1998). Psicologia da Aprendizagem da Linguagem Escrita. Lisboa: Universidade Aberta.
Estevens, M. L. (2002).
Aprendizagem da Linguagem Escrita em Contexto Pré-escolar. Tese de Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
Ferreiro, E., & Teberosky, A. (1984). Psicogénese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas.
Grave-Resendes, L., & Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.
Katz, L., & Chard, S. (1997). A Abordagem de Projecto na Educação de Infância. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Manson, J. M., & Sinha, S. (2002). Literacia emergente nos primeiros anos da infância: aplicação de um modelo Vygotskiano da aprendizagem e desenvolvimento. In B. Spodek (Org.), Manual de Investigação em Educação de Infância. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Mata, L. (1995). Escrita em Interacção – Processos de construção em crianças de 5-6 anos. Tese de Dissertação de Mestrado em Psicologia Educacional. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Mata, L. (2010).Brincar com a escrita: um assunto sério. Cadernos da educação de infância nº 90 Agosto (Artigo)
Niza, S. (1998a). Introdução. In S. Niza (Ed.), Criar o Gosto pela Leitura – Formação de Professores. Lisboa: Ministério da Educação. Departamento da Educação Básica.
Piaget, J. (1967). A Psicologia da Inteligência. Lisboa: Fundo de Cultura.
Silva, A. C. (1994). Uma perspectiva preventiva das dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita. Inovação, 7, 201-213.
Vygotsky, L. S. (1998). Pensamento e Linguagem. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda.


27/05/2013

A conversa sobre a visita à Quinta dos Pentieiros, fez-nos (re)lembrar o conto "O quintal do Sr. Juvenal", do nosso amigo Hélder Magalhães, e desta vez, procurar com muita atenção as rimas. Este conto é rico em particularidades sonoras/rimas, o que constitui um excelente exercício de consciência fonológica, o que por sua vez, constitui um dos domínios fortes da literacia emergente em educação pré escolar.
A sensibilidade para a descoberta dos sons da língua, é fundamental para a criança perceber e manipular a estrutura fonológica da palavra, e perceber que a palavra é composta por pequenas unidades de sons, a que chamamos fonemas. Desta forma, a criança estabelecerá relações entre a linguagem oral e a impressa, o que é determinante para a aquisição da leitura e da escrita.
Do conto acima referido, e em jeito de jogo de literacia,(descobrindo as rimas) de uma forma lúdica, conseguimos ter um conjunto de experiências e interações com a leitura e a escrita propriamente ditas, conforme podemos verificar pelos registos que deixamos.

És mesmo cabeça de abóbora, virou-se a cabaça para a abobrinha, enquanto o pimento ficava verde de tanta erva daninha

O pepino perdeu o tino e pôs-se a tocar o violino em cima do telhado 

Alto lá com o barulho, decretou a ervilha coberta de gorgulho

Uma zaragata entre uma batata e um tomate

 As cebolas juntaram-se e foi um coro de choro

 A cenoura estremeceu de medo. Pum!,

 A melancia ria, ria, ria.
 Todavia, uma lentilha a mascar pastilha fez um balão, que foi rebentar em cima do melão. 


Como refere Roskos (2004), a ligação da literacia ao jogo é uma das formas mais eficazes de fazer com que as atividades façam sentido e sejam agradáveis de realizar pelas crianças.
Na verdade, como referem Inês Gomes, Nelson Lima Santos (2004), "A literacia emergente não pretende ensinar a ler ou a escrever, nem levar a criança a alcançar os padrões de literacia adulta, pois, para além de desenvolvimentalmente ser inadequado, poderá ser contraproducente e prejudicial para a criança, levando-a a associar a linguagem escrita ao fracasso. Pelo contrário, a literacia emergente enfatiza a aquisição natural de competências, capacidades, conhecimentos e atitudes, incentivando o gosto pelos livros, o interesse pela linguagem escrita e o estabelecimento de interacções positivas entre crianças e adultos."

01/03/2012

Tendo como base a palavra LEÃO que é um dos animais da selva africana, os Triquiteiros estiveram primeiro a procurar palavras que terminassem em ÃO. A partir daí construíram o seguinte poema:


" E então?
O João pé de feijão,
foi procurar o leão,
e encontrou um ratão                              
que foi parar
nas penas do pavão.
O pavão era amigo
do leão,
que foi comer um pão.
Mas o pão caiu ao chão,
E quem o comeu foi o cão.
E o cão, ficou tão...
barrigudo, tão...
cheio...
E assim, terminou o poema,
que rimou,
palminhas para
 quem contou."

25/02/2012

Por causa de um jogo futebol, no recreio da escola, os Triquiteiros (rapazes), estavam a "refletir" sobre a falta de interação entre eles no próprio jogo... É que todos queriam a bola e onde fica a partilha? Foi preciso por isso, voltar a falar sobre uma das regras básicas da sala: PARTILHAR. E no meio desta conversa surgem algumas palavras que decidiram transformar em poema:

      A BOLA
" Eu estava a jogar á bola,
  E encontrei uma mola,                    
  A bola rebentou                                                     
  E o tempo parou
  Deixei de brincar
  E desatei a chorar"

(Autores : Bernardo, Gonçalo, Rui, Matilde, Leonor)




E assim, se vai fazendo poesia nesta sala...

04/02/2012

A história da "menina bonita bonita do laço de fita, surge dentro do Projeto África e "ajuda" os Triquiteiros a trabalharem a identidade pessoal e a multiculturalidade.



A história "reza" assim:
"Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos dela pareciam duas azeitonas
pretas, daquelas bem brilhantes.
Os cabelos eram enroladinhos e bem negros, feito fiapos da noite. A pele era
escura e lustrosa, que nem o pêlo da
pantera negra quando pula na chuva.
Ainda por cima, a mãe
gostava de fazer
trancinhas no cabelo dela
e enfeitar com laço de fita colorida. Ela ficava parecendo uma
princesa das Terras da África, ou uma
fada do Reino do Luar.
Do lado da casa dela morava um
coelho branco, de orelha cor-de-rosa,
olhos vermelhos e focinho nervoso
sempre tremelicando. O coelho achava
a menina a pessoa mais linda que ele
tinha visto em toda a vida. E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma
filha pretinha e linda que nem ela…
Por isso, um dia ele foi até a casa da
menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu caí na tinta
preta quando era pequenina..
O coelho saiu dali, procurou uma lata
de tinta preta e tornou banho nela.
Ficou bem negro, todo contente. Mas
aí veio uma chuva e lavou aquele pretume, ele ficou
branco outra vez.
Então ele voltou lá na casa da menina
e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito
café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café
que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada
preto.
Então ele voltou lá na casa da
menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de
fita, qual é teu segredo pra ser tão
pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu comi muita
jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba
até ficar pesadão, sem conseguir
sair do 1ugar. O máximo que
conseguiu foi fazer muito cocozinho
preto e redondo feito jabuticaba.
Mas não ficou nada preto.
Por isso, daí a alguns dias ele voltou lá na
casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e já ia inventando
outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela,
que era uma E,, mulata linda e risonha, resolveu se  meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha…
Aí o coelho - que era bobinho,
mas nem tanto - viu que a mãe da menina
devia estar mesmo dizendo a verdade, porque
a gente se parece sempre é com os pais, os tios,
os avós e até com os parentes tortos.
E se ele queria ter uma filha pretinha e
linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito.
Logo encontrou uma coelhinha escura
como a noite, que achava aquele
coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram
uma ninhada de filhotes, que coelho
quando desanda a ter filhote não pára mais.
Tinha coelho pra todo gosto: branco,
bem branco, branco meio cinza,
branco malhado de preto, preto
malhado de branco e até uma coelha
bem pretinha. já se sabe, afilhada da
tal menina bonita que morava na casa
ao lado.
E quando a coelhinha saía, de laço
colorido no pescoço, sempre
encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha
madrinha…"

Depois de ouvida várias vezes a história, o registo da mesma foi feito desta forma:







A consciência fonológica foi ainda trabalhada com o recorte e colagem da imagem correspondente à palavra da história


e reconstruiram as palavras de acordo com o referencial.


02/10/2011

O mapa de presenças foi negociado com o grupo, e os Triquiteiros do ano passado deram uma grande ajuda. Assim, este é um quadro semanal, simples, dado o elevado número de crianças de 3anos. Foram eles que escolheram que a cada dia da semana corresponderia uma cor (mantiveram as cores do ano passado) e que também teriam um cartão com a fotografia e o nome que os identificaria. Além disso deram uma ajuda na sua construção.


Este mapa é uma tabela de dupla entrada com os dias da semana na fila de cima e os nomes das crianças na coluna do lado esquerdo. Para o preencheram têm um quadrado com o P de PRESENÇA na cor correspondente ao dia para colocarem no local certo, e um quadrado com F de FALTA também na cor correspondente ao dia que a criança responsável pela tarefa de verificar este mapa se encarregará de colocar.
Este mapa possibilita às crianças, interiorizar noções matemáticas; fazer interações no mapa de dupla entrada; treinar a literacia e a escrita; desenvolver a interajuda/cooperação; desenvolver a responsabilização; desenvolver a tomada de consciência de pertença do grupo; descobrir ritmos temporais; ter noção da limitação do espaço; desenvolver a  motricidade fina.


Tive algumas dúvidas em utilizar este mapa no caso das crianças de 3 anos, mas também não queria que as crianças do ano anterior "regredissem". Mas... desta forma, e ao mesmo tempo vai-se criando um elo de ligação maior entre todas as crianças, onde os "mais antigos" ajudam as mais novas no preenchimento diário, numa verdadeira parceria, numa sala onde se respira um sentido social de cooperação, e aos pouquinhos todos vão começando a interiorizar este instrumento de pilotagem.


















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